Blog Actus Fidei - Atos de Fé

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22.03.07

Ser Santos e Profetas!

categorias: Juventude

Vem e segue-me!

Ao falarmos nestes dois temas vemas claramente a história da evangelização, onde através da Exortação Apostólica Evangeli Nuntiandi (EN) nos ensina que "a evangelização há de conter também sempre uma declaração clara que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos os homens, como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus" (EN, nº27).

O profetismo no Antigo Testamento:

De forma mais ampla, profetas foram todos aqueles por meio dos quais a revelação de Deus foi comunicada na história da salvação. O profeto-tipo é Moisés, o mediador da Antiga Aliança (Dt 18, 15; 34,10).

Moisés e a experiência do Êxodo são, pois, referência fundamental para toda palavra profética posterior. A temática do Êxodo perpassa todo o Antigo Testamento e se faz especialmente presente na atuação dos profetas, preparando assim a manifestação de Jesus como novo Moisés, que vem realizar um novo Êxodo e instituir uma Nova Aliança, agora definitivos.

Os profetas viveram uma profunda experiência de Deus, origem de sua vocação (Jr 1,4-10; Is 6, 1-8), a partir da qual, iluminados pelo Espírito, interpretavam os acontecimentos e proclamavam os juízos de Deus sobre eles, revelando as intenções divinas sobre a história, denunciando os pecados e infidelidades do povo e de seus dirigentes, chamando à conversão e apontando os caminhos a serem percorridos na fidelidade aos desígnios divinos. Em momentos de sofrimento os profetas foram sempre arautos da esperança, vislumbrando e anunciando tempos melhores, quando Deus mesmo haveria de intervir para mudar a sorte da humanidade. Com eles aproximou-se a consciência do pecado como mal radical e se desenhou a esperança de uma salvação nova, de uma Nova Aliança, de um Moisés, de um tempo de justiça e paz que o Espírito de Deus seria abundantemente derramado sobre a humanidade, anunciando assim pela própria vida e palavra a vinda do Messias.

O profetismo no Novo Testamento:

Depois de um longo silêncio o profetismo reaparece com João Batista, de modo que muitos se perguntavam se não seria ele o profeta anunciado em Dt 18 ,15 (Jo 1 ,21). Mas é em Jesus que o profetismo chega ao apogeu de seu significado, quando a Palavra anunciada pela voz dos profetas e de João veio pessoalmente armar sua tenda entre nós. Foi como profeta que por primeiro Jesus foi identificado: "Um profeta poderoso em obra e em palavra, diante de Deu e diante de todo o povo" (Lc 24,19). O Espírito de Deus estava sobre Ele e o conduziu em toda a sua experiência, ungindo-o para anunciar a Boa Nova aos pobres, para proclamar a libertação ao presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor (Lc 4, 16-22).

A presença e a palavra de Jesus anunciam um futuro, já iniciado - o Reino - , maravilhoso para a humanidade, e explicitam que rupturas se devem fazer para concretá-lo no hoje da história. Ele teve a lucidez do Espírito para perceber as articulações do mal nas pessoas e na cultura de seu tempo. A forma que se entregou ao Pai consuma sua existência profética e é ela mesma a profecia que nos aponta o camino da doação, do perdão e da reconciliação como o único caminho possível para uma transformação radical da história humana.

A Igreja continua a profecia de Jesus:

Ressuscitado Jesus comunica à sua Igreja o Espírito Santo, que o conduzira em sua existência histórica, para que ela leve a todos os recantos,em todos os momentos da história, sua mensagem. Ele mesmo, pelo Espírito, está presente e atuante na Igreja, seu Corpo, capacitando-a todos os dias para que seja testemunha de Deus no coração do mundo. Ela mesma deve se deixar converter plelo Evangelho, que, atentamente, todos os dias escuta de seu Senhor, procurando conformar-se em sua vida e em suas estruturas ao projeto do Reino de Deus.

A dimensão profética é dimensão essencial da missão evangelizadora da Igreja. O querigma evangélico, desde o início da pregação apostólica, foi proposto sob a forma de uma profecia. O anúncio do querigma é autêntico quando capaz de provocar a mudança, o início de uma caminho novo.

Participantes da missão profética da Igreja, os fiéis leigos e leigas, isto é, todos nós chamados pelo Senhor, empenhados em ilumiar o mundo com a luz de Cristo em todos os ambientes, tornam-se sujeitos privilegiados da inculturação do evangelho para a construção do Reino na história.

E a Igreja faz muito bem isso através:

A partir da pessoa;

O testemunho e o diálogo;

O anúncio da salvação em Cristo;

A comunidade como profecia em um cultura individualista;

O serviço da solidariedade;

A caminho do Reino definitivo.

Longe de serem uma alienação, a fé e a esperança cristãs mantêm os cristãos sempre operosos pela caridade no tempo da história, sobretudo em momentos de crise e sofrimento. Sem essa dimensão corremos o risco de passar para as pessoas um otimismo histórico ilusório, com expectativas de mudança que, não realizadas, geram frustração e desencanto.

Portanto, rezemos agora para que o Senhor venha nos visitar através de seu Santo Espírito e que por intercessão de Nossa Senhora de Pentecostes, nós leigos e leigas cristãos sejamos anunciadores da Boa Nova de Cristo a todos os povos, raças e línguas:

Oremos:

Nós Vos louvamos, Senhor, e agradecemos
Pela Vossa Palavra, pela graça do Batismo,
Pela Missão que de Vós recebemos.
Ensinai-nos, nós Vos pedimos,
A ser missionários
Neste tempo e em toda parte.
Alimentados pelo Vosso Corpo e Sangue,
Seja a nossa Missão um serviço à Paz;
E, para a humanidade à procura do Caminho,
Sedenta de Vida e de Verdade,
Um sinal de amor e de esperança. Amém.


Pai Nosso... Ave, Maria... Glória ao Pai...

Fonte: Trechos do Documento 80 da CNBB, Evangelização e Missão Profética da Igreja (Novos Desafios).

Por Rodrigo Magno Lobo de Brito

             in nomine domini

  • criado por  Rodrigo Magno criado por Rodrigo Magno
  • Postado em 08:30:31
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