Blog Actus Fidei - Atos de Fé

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Arquivo de: Julho 2007

01.07.07

Liturgia do Mês de Julho

JULHO

Inicia-se com uma celebração que valoriza o exemplo de dois discípulos: Pedro e Paulo. Um tema oportuno e atual, visto que em julho deverá ser publicado o Documento conclusivo da V Conferência de Aparecida, com tem o tema de “Discípulos e missionários de Jesus Cristo”. Pedro e Paulo, como conhecemos pela história, foram discípulos e missionários de Jesus e do Evangelho.

Fidelidade ao Evangelho
A primeira característica dos dois discípulos e apóstolos de Jesus é a fidelidade ao Evangelho. É o mesmo que falar de fidelidade ao projeto de Jesus Cristo para que o Reino de Deus aconteça no mundo. Cada um ao seu modo, Pedro e Paulo demonstraram total fidelidade a esse projeto, não parando diante de nenhum tipo de dificuldades, inclusive torturas, perseguições até o martírio.
Pedro e Paulo não se preocuparam em agradar o seu público e muito menos em serem populares às custas do Evangelho, mas em viver a fidelidade ao compromisso evangelizador diante de todas as provações que a sociedade ou regimes políticos lhes impunham, como proclama a Palavra dessa solenidade.

Missão dos discípulos
Como Pedro e Paulo, discípulos e apóstolos do Senhor que se fizeram missionários do Evangelho, os discípulos de Jesus de todos os tempos são missionários do mesmo Evangelho que os primeiros discípulos receberam do Senhor. Como eles, os discípulos de Jesus dos tempos atuais são constantemente enviados para anunciar a Boa Nova que o Reino de Deus já está presente entre nós, como acontece no envio evangelizador do 14o Domingo do TC - C.
Uma característica do discipulado cristão, na atividade de evangelizador é caminhar ao lado de outro evangelizador. Jesus os envia dois a dois, em espírito de comunhão, nas estradas do mundo para anunciarem o Evangelho. Nas entrelinhas de enviar dois a dois percebe-se a necessidade da comunhão na mesma fé e na mesma comunidade eclesial. Há nisso, igualmente, a mensagem que não existe comunhão isolada, “in intuito persona”.
Antes de ser evangelizador, o cristão precisa entrar na escola do Evangelho, se tornar discípulo de Jesus e partilhar sua fé com outros. Isso o fará compreender que evangelizar não é uma questão pessoal, uma decisão de quem se decide em ser ou não evangelizador, mas uma necessidade que nasce no coração através da convivência com o Mestre. O discípulo, em resumo, não evangeliza porque quer, mas pelo fato de ser discípulo, como conseqüência natural de comunicar a outras pessoas a beleza do Evangelho. Enquanto tal, o discípulo não pode deixar de evangelizar.

A opção preferencial pelos pobres
Também a Igreja é discípula e, dentro do contexto histórico e cultural onde vive é interpelada a ser discípula de Jesus e evangelizadora. É da natureza da Igreja ser discípula de Jesus e ser evangelizadora. Mas isso é o óbvio. A parábola do Bom Samaritano, proclamada no 15o Domingo do TC – C, ajuda entender que a Igreja, enquanto instituição é chamada a ter compaixão para com o pobre espoliado e caído por terra. E é nesse sentido que a Igreja, discípula de Jesus, emprega sua influência social em favor do pobre, através da opção preferencial pelos pobres.
A opção preferencial pelos pobres nada mais é que uma opção evangélica, natural de quem é discípulo do Senhor, a qual a Igreja não pode se excluir, com o grave risco de se colocar contra o próprio Evangelho. Ao refletir sobre a metodologia evangelizadora, a Igreja contempla o modo como Jesus acolhia e tratava os pobres e procura, na cultura e na história atual, especialmente na América Latina, a corresponder à exigência evangélica de erguer os pobres assaltados em seus direitos e a ser deles a voz exigindo respeito e vida digna. A opção preferencial pelos pobres é uma opção evangelizante, porque a Igreja se deixa evangelizar pelos pobres; é uma opção evangelizadora, porque a Igreja age como Jesus agia no relacionamento com os pobres e é uma opção profética, porque a Igreja é voz que fala em nome de Deus contra os pobres que são assaltados e impedidos de viver dignamente.

Comunidades contemplativas e orantes
Depois de três primeiros Domingos ativos, digamos assim, com a evangelização saindo a campo, os dois últimos Domingo de julho continuam no tema do discipulado, mas considerando a importância de escolher a melhor parte, de sentar-se aos pés de Jesus e ouvir o que ele ensina. Iniciemos pelo 16o Domingo do TC - C.
Não é segredo que o ativismo pastoral é uma realidade em padres, religiosos e agentes de pastorais. São pessoas marcadas pela personalidade de Marta, capazes de reclamar quando encontram alguém que “perde tempo aos pés de Jesus”, quanto se tem tanto a fazer. E, no entanto, o sentar-se aos pés de Jesus, o tirar tempo para ouvir e meditar o que diz Jesus, para conhecer melhor o Evangelho é uma necessidade urgente para o agente de pastoral e para as atividades de nossas pastorais. Não existe discípulo de Jesus se ele não se sentar aos pés do Mestre para silenciosamente alimentar-se de suas palavras.
Maria, aquela que se sentou aos pés de Jesus, é exemplo e modelo genuíno do discípulo e da discípula de Jesus. Antes de agir, aprende-se pelo exemplo de Maria, é preciso escolher a melhor parte: ouvir o Evangelho para transmiti-lo através de palavras e de serviços comunitários e pastorais. Uma proposta concreta, que surge da celebração do 16o Domingo do TC - C é criar núcleos de estudo e de reflexão iluminados pela Leitura Orante da Bíblia, um caminho seguro na formação do discipulado de Jesus.
Na continuidade exemplar, um discípulo vê Jesus rezando e pede que lhes ensine a rezar. O Evangelho do 17o Domingo do TC - C não menciona o nome do discípulo, tornando-o nominável em qualquer época histórica. Pode ser aquele discípulo que partilhou a convivência com Jesus e pode ser o discípulo de hoje, que se relaciona com Jesus pela fé. No contexto celebrativo desse Domingo, a 1a leitura descreve a importância de comunidades que vivem na justiça e sejam intercessoras da bondade divina. Na proposta celebrativa vem denominada como “comunidade orante”.
Comunidade orante é toda comunidade que alcançou a maturidade através do discipulado. São comunidades que se tornaram uma necessidade para nossas obras, pois de acordo com o ensinamento da Sagrada Escritura, evitam que o mal seja prejudicial ao mundo e atraem o bem e a bondade para todo o mundo. Todas as nossas comunidades, paroquiais, capelas, CEBs, movimentos, são convocadas pela Liturgia do 17o Domingo do TC - C a serem “comunidades orantes”. Contemplando, pela Liturgia, a necessidade e a importância da oração na vida pessoal e, de modo particular, na sociedade de hoje, ser comunidade orante é um serviço em favor da vida e da paz que a Igreja é chamada a prestar ao mundo inteiro.

Conclusão
O discipulado é um tema que acompanhará nossas propostas celebrativas, no mês de julho. Um tema oportuno e necessário, que ajudará nossas comunidades a entender o discipulado na atividade evangelizadora e na atividade contemplativa. Na atividade ativa e na atividade contemplativa. Na ação e na oração. Boas celebrações!

Fonte: http://www.liturgia.pro.br/pedjulho7.htm Serginho Valle


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  • Postado em 21:44:39