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Caridade mais perfeita não é dar do supérfluo, mas do que nos faz falta, diz cardeal
Dom Eusébio Scheid recorda importância da ajuda material à Amazônia
RIO DE JANEIRO, terça-feira, 13 de março de 2007 (ZENIT.org).- No contexto da Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil neste tempo de quaresma, o cardeal Eusébio Scheid, ao chamar à ajuda material à região amazônica, afirma que «a caridade mais perfeita não é dar do supérfluo, mas do que nos faz falta».

Segundo o arcebispo do Rio de Janeiro escreve em mensagem enviada a Zenit esta terça-feira, «o auxílio de ordem material é imprescindível» àquela região». A Campanha da Igreja no Brasil discute justamente o tema «Fraternidade e Amazônia».
Dom Eusébio recorda que a Amazônia legal é uma região imensa e com características muito variadas. Basta saber que é composta por 10 Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.
Sua população compreende 23 milhões de habitantes, entre os quais estão 163 povos indígenas, representados por 208 mil pessoas. «Infelizmente, muito poucas, se levarmos em conta a população nativa, na época do descobrimento», diz o arcebispo.
O cardeal afirma então que o primeiro objetivo da Campanha da Fraternidade é conhecer melhor a Amazônia. «É preciso encontrar critérios, que nos possibilitem comparar a Amazônia com a nossa realidade local.»
«Conhecer a Amazônia, ir a ela em missão, abraçar o ideal de seu desenvolvimento, lutar por melhor qualidade de vida para seu povo, tudo isto requer que nos debrucemos sobre sua cultura.»
Outra atitude fundamental, segundo o arcebispo do Rio de Janeiro, é denunciar as agressões que são infligidas àquela região.
«Mas não basta denunciar. É preciso propor mudanças, apresentar novas propostas e apontar o melhor caminho.»
«Existem projetos, programas, e instituições dedicados à Amazônia. É importante conhecê-los, para avaliar a viabilidade de suas iniciativas, apoiando as que merecerem nossa ajuda, e associar-nos a elas, enviando missionários e peritos, quando necessário.»
O cardeal aponta ainda à necessidade do auxilio material à região. «Não podemos nos omitir em oferecê-lo, mesmo privando-nos do necessário. Mas nem tudo de que usufruímos é tão necessário assim. De quanta coisa supérflua, muitas vezes, nos sobrecarregamos!»
«A caridade mais perfeita não é dar do supérfluo, mas do que nos faz falta. Isto nos leva a experimentar o verdadeiro sentido do jejum quaresmal, que não representa, apenas, uma norma da Igreja.»
«Fundamenta-se no próprio espírito da Sagrada Escritura e no exemplo de nossos antepassados, que devemos conservar, como um legado sacro e exemplo de sacrifício», afirma.
«Sob a ótica do Evangelho, a renúncia sempre se deve fazer em benefício de outros. Vemos, assim, que a Campanha da Fraternidade se insere, plenamente, nesse ideal», escreve o cardeal.
Fonte: Zenit.org