Blog Actus Fidei - Atos de Fé

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Categoria: Vocação

19.05.07

A EUCARISTIA FONTE DAS VOCAÇÕES

categorias: Vocação
A Eucaristia fonte das vocações

Por ocasião da Quinta-Feira Santa, o nosso saudoso e amado Papa João Paulo II enviou para toda a Igreja uma belíssima Carta-Encíclica sobre a Eucaristia, apresentando uma síntese da doutrina católica sobre o “dom por excelência” que ela recebeu de Jesus, sublinhando a sua centralidade para a vida e a missão do Povo de Deus.

O Papa focaliza no primeiro capítulo alguns aspectos dogmáticos do “admirável Mistério”, que não podem ser diluídos nem no diálogo ecumênico, nem na tentativa de buscar soluções precipitadas a uma carência de ministros ordenados, que asseguram a celebração da Eucaristia sobretudo naquelas regiões onde a falta das vocações constitui um sério problema para a Igreja local.

Eucaristia: sacrifício, ceia e prenúncio da eternidade

A Eucaristia é, em primeiro lugar, sacrifício em sentido próprio (EE n. 13), que vem representado sacramentalmente na celebração memorial do único sacrifício de Cristo e que implica na sua presença real, a qual não exclui outros tipos de “presença”, sendo, contudo, presença "por excelência, porque é substancial” (EE n. 15).

A eficácia salvífica deste Sacramento se recebe através da comunhão com o Corpo e Sangue de Jesus, porque a Eucaristia é o verdadeiro banquete (EE n. 16) no qual Cristo oferece a si mesmo como nutrimento (cfr Jo 6,25).

A aclamação dos fiéis às palavras da consagração propõe a sua dimensão escatológica, enquanto “exprime e consolida a comunhão com a Igreja celeste” (EE n. 19), mas não tira a responsabilidade dos fiéis do dever de serem atentos ao caminho histórico da humanidade, assumindo e trabalhando seriamente com os problemas urgentes que hoje caracterizam o “mundo globalizado”, sobretudo a fome e a miséria .

No segundo capítulo João Paulo II nos convida a olharmos aquele influxo causal da Eucaristia na origem da Igreja. Ela nasceu dos apóstolos que viveram, com Cristo, a primeira experiência eucarística na ceia e no sacrifício. Isto se renova na celebração do dia-a-dia e dá sentido à frase: “A Eucaristia edifica a Igreja”. Esta verdade está contida no próprio título da Encíclica: “A Igreja vive da Eucaristia” (EE n.1). E pouco mais adiante afirma ainda: “do mistério Pascal nasce a Igreja” (EE n.3).

Mas é verdade também que “a Igreja faz a Eucaristia” (EE n. 26) e isto implica conseqüências para o apostolado da Igreja enquanto esta missão foi entregue por Jesus aos apóstolos e aos seus legítimos sucessores, uma vez que a Igreja “guarda e transmite” o bom depósito da fé com ajuda do Espírito, e também porque esta é “instituída, santificada e guiada” pelos apóstolos e seus sucessores até a segunda vinda de Cristo. (EE n.28)

Vocação sacerdotal e Eucaristia

Somente ao sacerdote ministerial compete à presidência eucarística enquanto age in persona Christi (EE n. 29) e como a Eucaristia é centro e vértice da vida da Igreja, assim também ela o é para próprio ministro ordenado (EE n. 31).

O Papa sublinha que a Eucaristia “é a principal e central razão de ser do sacramento do Sacerdócio” e portanto “centro e raiz de toda a vida do presbítero”. E prossegue: “da centralidade da Eucaristia na vida e no ministério dos sacerdotes deriva também sua centralidade na pastoral em prol das vocações sacerdotais”. (EE n. 31)

Um sacerdote que celebra bem, que adora e contempla Cristo Eucarístico é com certeza um ministro que cresce na caridade pastoral, e o seu testemunho faz fecundar no coração dos jovens a semente do chamado ao sacerdócio (EE n.32).

Disso nasce a responsabilidade dos presbíteros de favorecer celebrações autenticamente participativas e ainda de saber dobrar os joelhos diante da presença real do Senhor, dignamente e cuidadosamente conservada no tabernáculo.

O Papa nos dá testemunho disso, quando escreve: “é bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predileto, deixar-se tocar pelo amor infinito de seu coração... como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, e recebi dela força, consolação, apoio!” (EE n.25)

Certamente a fecundidade pastoral do ministério papal de João Paulo II tem as suas raízes escondidas neste reclinar da sua cabeça sobre o corpo Eucarístico de Jesus. Estas reflexões e este testemunho devem constituir um motivo para interrogarmos com seriedade se atual crise das vocações não está vinculada a uma certa perda da capacidade contemplativa que, infelizmente, atinge a alguns sacerdotes. Na verdade se pode constatar hoje um certo ativismo que leva a crer que quanto mais nos agitamos, tanto mais obtemos resultados práticos, enquanto a autêntica fecundidade apostólica não se baseia tanto na multiplicidade das iniciativas, mas na qualidade destas enquanto façam transparecer o agir salvífico de Deus em benefício de seu povo. O sacerdócio assim vivido suscita em outras pessoas o desejo de doar toda vida a Deus no serviço da sua Igreja, constituindo, sem dúvida, a mais forte motivação vocacional.

Há também a necessidade de ajudar aquelas paróquias que não têm ministro ordenado, que sofrem pela falta da celebração eucarística, a entender que a forma mais eficaz de pedir ao Pai trabalhadores para a messe consiste em cultivar uma verdadeira “fome” de Eucaristia e fazer desta a raiz e o alicerce da vida espiritual deles. (EE n. 32)

O Papa sublinha que a Eucaristia “cria comunhão e educa para a comunhão” (EE n. 40). Isso implica que cada comunidade deve cuidar para não cair no isolamento, no ensimesmamento, mas procurará viver em plena comunhão com o seu Bispo, sucessor dos apóstolos, e com o Santo Padre, Sucessor de Pedro, na busca da plena comunhão com as outras Igrejas e comunidades eclesiais.

Eucaristia e a vocação de Maria

Enfim, o Papa nos propõe o ícone da “Mulher Eucarística”, ou seja, Maria, que viveu a sua fé eucarística ainda antes da instituição da Eucaristia, como Mãe do Verbo Encarnado e que, aos pés da cruz, viveu uma “comunhão espiritual de desejo e de entrega“ junto com o Filho (EE n. 57). Ela, modelo de vocação e resposta, interceda junto do Pai, para que a Igreja tenha sempre muitas vocações sacerdotais, a fim de que não falte o alimento eucarístico para nenhuma comunidade, e que cada leigo(a) descubra na Eucaristia a fonte de sua própria vocação, pois a Igreja vive da Eucaristia.

Fonte: Dom Gil Antônio Moreira
Bispo Auxiliar- Região Episcopal Ipiranga




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15.03.07

Florescimento vocacional

categorias: Vocação

Cazaquistão - florescimento vocacional

Karaganda (Agência Fides) - O trabalho pastoral procede de vento em poupa para os primeiros dois sacerdotes ordenados após a conclusão dos estudos teológicos no Seminário cazaque de Karaganda, único seminário católico da Ásia central. O Seminário Maior interdiocesano “Sancta Maria Mater Ecclesiae”, na cidade e diocese de Karaganda, foi erigido em 14 de janeiro de 2005 pela Congregação para a Evangelização dos Povos. O Reitor do Seminário é o rev. Zygmunt Kwieciński, do clero de Kielce (Polônia) e a estrutura acolhe atualmente cerca de 20 seminaristas locais. O Padre Nicolai Mamajev, 28 anos, e o Pe. Marius Kowalski, 37 anos - os dois novos sacerdotes ordenados em maio de 2006 - deram novo ânimo para a pastoral da Igreja local e trabalham com os jovens, as famílias, e com atividades litúrgicas e caritativas.


Depois de anos de perseguição contra os cristãos e de escondimento, hoje o Cazaquistão está se abrindo à contribuição da fé em Cristo. Contam-se cerca de 300 mil católicos no país (2% em relação aos 15 milhões de cidadãos), e a evangelização nas estepes centro-asiáticas continua graças à presença de missionários, mas também de fiéis leigos. Em 1991, havia somente nove sacerdotes católicos no país, hoje existem mais de 80, coadjuvados por 100 freiras e cerca de 70 pessoas entre catequistas e missionários leigos, que desempenham um serviço pastoral com zelo e dedicação.
Desde a abertura do Seminário de Karaganda, também as vocações ao sacerdócio continuaram a florescer. “Somos uma Igreja jovem, que está crescendo. Estamos em caminho, temos o entusiasmo das crianças, nos esforçamos para testemunhar a fé e semear a Palavra de Deus nos confins do Cazaquistão, o grande país da Ásia central”, explicou Dom Jan Pawel Lenga, Bispo de Karaganda.
Os católicos são uma pequena minoria, mas todas as quatro dioceses cazaques têm novos batizados todos os anos, inclusive porque existe liberdade para evangelizar, no respeito das leis do Estado e das diversas comunidades religiosas. O olhar da Igreja, destacou Dom Lenga, é dirigido sobretudo aos jovens: a Igreja cazaque é jovem, e os jovens devem ser seus protagonistas. (PA) (Agência Fides 6/3/2007)

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