Blog Actus Fidei - Atos de Fé

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Arquivo de: Maio 2007, 19

19.05.07

O DOGMA DA ASSUNÇÃO DE MARIA

O dogma da Assunção de Maria!

O dogma da Assunção se refere a que a Mãe de Deus, ao cabo de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial.

Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII, no dia 1 de novembro de 1950, na Constituição Munificentissimus Deus:

"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espíritu da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência;

para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e con a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu".

Agora bem, Porquê é importante que os católicos recordemos e aprofundemos no Dogma da Assução da Santíssima Virgem Maria ao Céu?

O Novo Catecismo da Igreja Católica responde à esta interrogação:

"A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos"(966).

A importância da Assunção para nós, homens e mulheres do começo do Terceiro Milênio da Era Cristã, radica na relação que existe entre a Ressurreição de Cristo e nossa. A presença de Maria, mulher da nossa raça, ser humano como nós, quem se encontra em corpo e alma já glorificada no Céu, é isso: uma antecipação da nossa própria ressurreição.

Mais ainda, a Assunção de Maria em corpo e alma ao céu é um dogma da nossa fé católica, expressamente definido pelo Papa Pio XII pronunciando-se "ex-cathedra". E... Quê é um Dogma?
Posto nos termos mais simples, Dogma é uma verdade de Fé, revelada por Deus (na Sagrada Escritura ou contida na Tradição), e que também é proposta pela Igreja como realmente revelada por Deus.

Neste caso se diz que o Papa fala "ex-cathedra", quer dizer, que fala e determina algo em virtude da autoridade suprema que tem como Vigário de Cristo e Cabeça Visível da Igreja, Mestre Supremo da Fé, com intenção de propor um assunto como crença obrigatória dos fiéis católicos.

O Novo Catecismo da Igreja Católica (966) nos explica assim, citando a Lumen Gneitium 59, que à sua vez cita a Bula da Proclamção do dogma:

"Finalmente a Virgem Imaculada, preservada livre de toda macha de pecado original, terminado o curso da sua vida terrena foi levada à glória do Céu e elevada ao trobno do Senhor como Rainha do Universo, para ser conformada mais plenamente a Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da mrote".

E o Papa João Paulo II, em uma das suas catequeses sobre a Assunção, explica isto mesmo nos seguintes termos:

"O dogma da Assunção, afirma que o corpo de Maria foi glorificado depois de sua morte. Com efeito, enquanto para os demais homens a ressurreição dos corpos ocorrerá no fim do mundo, para Maria a glorificação do seu corpo se antecipou por singular previlégio" (JPII, 2- Julho-97).

"Contemplando o mistério da Assunção da Virgem, é possível compreender o plano da Providência Divina com respeito a humanidade: depois de Crsito, Verbo Encarnado, Maria é a primeria criatura humana que realizou o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade prometida aos eleitos mediante a ressurreição dos corpos" (JPII, Audiência Geral do 9-julho-97). Continua o Papa: "Maria Santíssima nos mostra o destino final dos que 'escutam a Palavra de Deus e a cumprem'(Lc. 11,28). Nos estimula a elevar nosso olhar às alturas onde se encontra Cristo, sentado à direita do Pai, e onde também está a humilde escrava de Nazaré, já na glória celestial"(JPII, 15-agosto-97).

Os homens e mulheres de hoje vivimos pendentes do enigma da morte. Ainda que o enfoquemos de diversas formas, segundo a cultura e crenças que tenhamos, por mais que o evadimos em nosso pensamento por mais que tratemos de prolongar por todos os meios ao nosso alcane nossos dias na terra, todos temos uma necessidade grande desta esperança certa de imortalidade contida na promessa de Cristo sobre nossa futura ressurreição.

Muito bem faria a muitos cristãos ouvir e ler mais sobre este mistério da Assunção de Maria, o qual nos diz respeito tão diretamente. Por quê se chegou a difundir-se a crença no mito pagão da re-encarnação entre nós? Se pensamos bem, estas idéias estranhas à nossa fé cristão vieram metendo-se na medida em que deixamos de pensar, de predicar e de recordar aos mistérios, que como o da Assunção, têm a ver com a outra vida, com a escatologia, com as realidades últimas do ser humano.

O mistério da Assunção da Santíssima Virgem Maria ao Céu nos convida a fazer uma pausa na agitada vida que levamos para refletir sobre o sentido da nossa vida aqui na terrra, sobre o nosso fim último: a Vida Eterna, junto com a Santíssima Trindade, a Santíssima Virgem Maria e os Anjos e Santos do Céu. O fato de saber que Maria já está no Céu gloriosa em corpo e alma, como nos foi prometido aos que façamos a Vontade de Deus, nos renova a esperança em nossa futura imortalidade e felicidade perfeita para sempre.

Fonte: ACI Digital.

  • criado por  Rodrigo Magno criado por Rodrigo Magno
  • Postado em 12:54:24

A EUCARISTIA FONTE DAS VOCAÇÕES

categorias: Vocação
A Eucaristia fonte das vocações

Por ocasião da Quinta-Feira Santa, o nosso saudoso e amado Papa João Paulo II enviou para toda a Igreja uma belíssima Carta-Encíclica sobre a Eucaristia, apresentando uma síntese da doutrina católica sobre o “dom por excelência” que ela recebeu de Jesus, sublinhando a sua centralidade para a vida e a missão do Povo de Deus.

O Papa focaliza no primeiro capítulo alguns aspectos dogmáticos do “admirável Mistério”, que não podem ser diluídos nem no diálogo ecumênico, nem na tentativa de buscar soluções precipitadas a uma carência de ministros ordenados, que asseguram a celebração da Eucaristia sobretudo naquelas regiões onde a falta das vocações constitui um sério problema para a Igreja local.

Eucaristia: sacrifício, ceia e prenúncio da eternidade

A Eucaristia é, em primeiro lugar, sacrifício em sentido próprio (EE n. 13), que vem representado sacramentalmente na celebração memorial do único sacrifício de Cristo e que implica na sua presença real, a qual não exclui outros tipos de “presença”, sendo, contudo, presença "por excelência, porque é substancial” (EE n. 15).

A eficácia salvífica deste Sacramento se recebe através da comunhão com o Corpo e Sangue de Jesus, porque a Eucaristia é o verdadeiro banquete (EE n. 16) no qual Cristo oferece a si mesmo como nutrimento (cfr Jo 6,25).

A aclamação dos fiéis às palavras da consagração propõe a sua dimensão escatológica, enquanto “exprime e consolida a comunhão com a Igreja celeste” (EE n. 19), mas não tira a responsabilidade dos fiéis do dever de serem atentos ao caminho histórico da humanidade, assumindo e trabalhando seriamente com os problemas urgentes que hoje caracterizam o “mundo globalizado”, sobretudo a fome e a miséria .

No segundo capítulo João Paulo II nos convida a olharmos aquele influxo causal da Eucaristia na origem da Igreja. Ela nasceu dos apóstolos que viveram, com Cristo, a primeira experiência eucarística na ceia e no sacrifício. Isto se renova na celebração do dia-a-dia e dá sentido à frase: “A Eucaristia edifica a Igreja”. Esta verdade está contida no próprio título da Encíclica: “A Igreja vive da Eucaristia” (EE n.1). E pouco mais adiante afirma ainda: “do mistério Pascal nasce a Igreja” (EE n.3).

Mas é verdade também que “a Igreja faz a Eucaristia” (EE n. 26) e isto implica conseqüências para o apostolado da Igreja enquanto esta missão foi entregue por Jesus aos apóstolos e aos seus legítimos sucessores, uma vez que a Igreja “guarda e transmite” o bom depósito da fé com ajuda do Espírito, e também porque esta é “instituída, santificada e guiada” pelos apóstolos e seus sucessores até a segunda vinda de Cristo. (EE n.28)

Vocação sacerdotal e Eucaristia

Somente ao sacerdote ministerial compete à presidência eucarística enquanto age in persona Christi (EE n. 29) e como a Eucaristia é centro e vértice da vida da Igreja, assim também ela o é para próprio ministro ordenado (EE n. 31).

O Papa sublinha que a Eucaristia “é a principal e central razão de ser do sacramento do Sacerdócio” e portanto “centro e raiz de toda a vida do presbítero”. E prossegue: “da centralidade da Eucaristia na vida e no ministério dos sacerdotes deriva também sua centralidade na pastoral em prol das vocações sacerdotais”. (EE n. 31)

Um sacerdote que celebra bem, que adora e contempla Cristo Eucarístico é com certeza um ministro que cresce na caridade pastoral, e o seu testemunho faz fecundar no coração dos jovens a semente do chamado ao sacerdócio (EE n.32).

Disso nasce a responsabilidade dos presbíteros de favorecer celebrações autenticamente participativas e ainda de saber dobrar os joelhos diante da presença real do Senhor, dignamente e cuidadosamente conservada no tabernáculo.

O Papa nos dá testemunho disso, quando escreve: “é bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predileto, deixar-se tocar pelo amor infinito de seu coração... como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, e recebi dela força, consolação, apoio!” (EE n.25)

Certamente a fecundidade pastoral do ministério papal de João Paulo II tem as suas raízes escondidas neste reclinar da sua cabeça sobre o corpo Eucarístico de Jesus. Estas reflexões e este testemunho devem constituir um motivo para interrogarmos com seriedade se atual crise das vocações não está vinculada a uma certa perda da capacidade contemplativa que, infelizmente, atinge a alguns sacerdotes. Na verdade se pode constatar hoje um certo ativismo que leva a crer que quanto mais nos agitamos, tanto mais obtemos resultados práticos, enquanto a autêntica fecundidade apostólica não se baseia tanto na multiplicidade das iniciativas, mas na qualidade destas enquanto façam transparecer o agir salvífico de Deus em benefício de seu povo. O sacerdócio assim vivido suscita em outras pessoas o desejo de doar toda vida a Deus no serviço da sua Igreja, constituindo, sem dúvida, a mais forte motivação vocacional.

Há também a necessidade de ajudar aquelas paróquias que não têm ministro ordenado, que sofrem pela falta da celebração eucarística, a entender que a forma mais eficaz de pedir ao Pai trabalhadores para a messe consiste em cultivar uma verdadeira “fome” de Eucaristia e fazer desta a raiz e o alicerce da vida espiritual deles. (EE n. 32)

O Papa sublinha que a Eucaristia “cria comunhão e educa para a comunhão” (EE n. 40). Isso implica que cada comunidade deve cuidar para não cair no isolamento, no ensimesmamento, mas procurará viver em plena comunhão com o seu Bispo, sucessor dos apóstolos, e com o Santo Padre, Sucessor de Pedro, na busca da plena comunhão com as outras Igrejas e comunidades eclesiais.

Eucaristia e a vocação de Maria

Enfim, o Papa nos propõe o ícone da “Mulher Eucarística”, ou seja, Maria, que viveu a sua fé eucarística ainda antes da instituição da Eucaristia, como Mãe do Verbo Encarnado e que, aos pés da cruz, viveu uma “comunhão espiritual de desejo e de entrega“ junto com o Filho (EE n. 57). Ela, modelo de vocação e resposta, interceda junto do Pai, para que a Igreja tenha sempre muitas vocações sacerdotais, a fim de que não falte o alimento eucarístico para nenhuma comunidade, e que cada leigo(a) descubra na Eucaristia a fonte de sua própria vocação, pois a Igreja vive da Eucaristia.

Fonte: Dom Gil Antônio Moreira
Bispo Auxiliar- Região Episcopal Ipiranga




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